Algumas aventuras escritas
.

7/7/15

Maltratar a língua é colocá-la em grilhões.

26/11/14

Se não existisse má sorte, eu nunca a teria.

Morreram

Se foi o Escritor
O Sonhador
Professor
Poeta...
Morreram Rubem Alves

5/7/13


         que se
       aglomera

resiste pós parto e se ajusta

                               envelhece
                                                  e s v a n e c e
                                                                                

3/6/13

Saudade é um aperto que a vida não explica
Chega lentamente e se manifesta em nós

27/05/13

"Buscar outro sentido para a vida se torna muito difícil quando vivemos no segmento da sociedade que está insuportavelmente voltado para a busca da felicidade material."

25/2/12

"As trevas da Idade Média,
 as travas da Idade Mídia" 

Uni versos (22/fev/2012)

As palavras insistem em querer explicar
o alvorecer que nos toca atrasado
Nuvens choram gotas de gelos
que sufocam o ar e grisalham o dia

O sol nos grita um silêncio radioso
como o barulho das crisálidas crescendo
Luz que rascunha triangulares sombras
de antigos povos e seus secretos saberes

A terra disputa a chuva com raízes
e árvores se empurram por claridade
O arco-íris pende débil e cianótico
manando para azular peixes e sereias

O cansaço do vento carregado de plumas
traz acenos de folhas loucas para voar
raios raivosos que não espera o trovão
água de chuvas em sopros e nuvens

Leito de vida das águas que correm
morre lento desembocado no mar
Mar circunspecto que redesenha
a curva da onda que o vento curvou

Curva que se curva ante a força lunar
e a luz ensombrecida que quer iluminar
Nas sombras da dúvidas sua luz é fugaz
Nas sombras da vida nossa luz é a paz

E as palavras sopradas insistem
voam, ressoam, não ficam. Desistem
Traçadas, registram a busca de sentidos
que só veremos em Andrômeda.

27/3/11

"A saudade é um tipo de egoísmo:
Clama por alguém para me fazer feliz"

6/4/10

"Vida: inquietude abstrata buscando a quietação concreta"

Um dedo de prosa (Mar/2010)

O ser humano eterniza paradoxos sublimes e abjetos.
Edifica hospitais hi-tech com cirurgias intercontinentais, que não chegam à Etiópia.
Maquiavela campos de extermínio dos quais surgem salvadores, outrora, anônimos.
Fissão nuclear? É só uma fonte de energia, ninguém falou em bomba! (.jp saudações)
LASER, HUBBLE, LHC do CERN, mas só as rochas preservarão nossa curta estada.
Salvar o planeta? Ele tem cinco bilhões de anos de experiência! Vai querer a nossa?
Ser humano é mais do que ser humano.
E eternamente de passagem.

4/3/10

"Basta estar vivo para errar"

Anseios - (Nov/2009)

Faça o bem sem olhar a quem
E o mal sem olhar o qual
Tudo espelha o que te vem
É dor e alegria afinal

Microconto - (Set/2009)

Dois casamentos.
Um amor.
Três mulheres...

Mente (Jul/2009)

Eterna mente
é terna mente
E, ternamente,
é ter na mente
éter na mente.
E, terna, mente
eternamente.

Coerção linguística - (Fev/2009)

A língua é inquiridora
Ela nos obriga a falar

Rot - (Fev/2009)

Alles ist rot
Das Leben, der Tod
Das Blut, meine Netzhaut
Alles...

O tempo - (Jan/2009)

      O relógio oculta o tempo ao revelar a hora
      Gira sem parar, sem sair do lugar
      Ontem existiu. Se foi
      Amanhã será. Será?
      Agora?
      É passado
    É passado
  É passado
É passado

Nós & Voz - (Out/2008)

Voz também para os estudantes
Milho e palmatória eram antes
Com papel e cola nas mãos
Hoje o plano é integração
A idéia chega fervente
E a partilha é crescente

Compras, preparos e muita correria
Cedo plantou troca, música e alegria
Com recurso contido e contado
Parede pintada e painel colado
Regada com imaginação
Logo brotou a produção

(escrita para o evento AVE)

MLB - (Mar/2008)

Minha Língua Brasileira
Minha!
Idioleto idiossincrático

Deleite inefável - (Jan/2008)

Das tuas entranhas quero a escuridão
Devoto ao ventre o carinho lingual
Noturno e selvagem
Falo e cuspo e lambo

Coloco minha cabeça no teu colo
Uterino
Inteira e interina
Falo cuspindo e teso

Da tua boca desejo a devassidão
De novo ao ventre um carinho igual
Negando regra e linhagem
Empurro e oprimo e gemo

Coloco tua cabeça no meu colo
Viperino
Túrgido e adulterino
Falo cuspido e bambo

Haikai (Jan/2007)

Equilíbrio trágico
é Apolo embriagado,
uno dionisíaco

The dramatic cats - (Fev/2002)

The bad cat said:
- Catch the rat, sad cat.
- Catch the rat to pat.

The fat cat said:

- I'm not a sad cat, not yet!
- I'm a fat cat.
- Get the bat, mad cat.
- Get the bat to pet.
The bad cat said:

- I'm not a mad cat, not yet!
- I'm a bad cat.
- Look at that, the rat is really mad.
- He put the bed on the red mat and a red hat on the bed.


And the fat cat said:
- Ok, I let go of the rat and you forget the bat.
- In fact, it's the end of the act!

Avesso do viço - (Jun/1997)

Será fácil esquecer o teu nome
Simples não sentir teus abraços
Tênue olvidar tua voz
Brando não beijar os teus lábios

Será comum esquecer tuas mãos
Dócil desprezar o teu toque
Ordinário não ouvir teus gemidos
Venerável rejeitar tua volúpia

Será claro esquecer os teus pés
Pacífico não observar teu olhar
Natural largar tua pele
Mero não compartilhar tua alegria

Será usual esquecer o teu ventre
Suave não tocar o teu rosto
Trivial recusar tuas coxas
Normal não percorrer o teu corpo

Será tranqüilo esquecer o teu gosto
Sereno não receber os teus beijos
Singelo abandonar os teus sonhos
Ameno não afagar os teus seios

Será calmo esquecer teu semblante
Espontâneo não alisar teus cabelos
Manso não ter tua companhia
Voluntário não ter teus carinhos

Se estas palavras traduzissem a verdade
Meu infortúnio estaria, sim, abreviado
Mas tua partida só fortalece a liberdade
Deixando vazio um corpo em ti viciado

Será assim que os dias se darão
Pois a morte ainda em vida
Me acompanhará após tua ida
Desvanecendo o amor do meu coração